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Líder indígena Munduruku de Itaituba ganha prêmio internacional de Direitos Humanos

A líder indígena da etnia Munduruku, Alessandra Korap, venceu o prêmio internacional à luta pelos diretos humanos, Robert F. Kennedyem reconhecimento pelas denúncias de atividades ilegais em áreas protegidas. Entrega foi feita em cerimônia virtual nesta última quinta-feira (22).

Sediada em Washington, a Fundação  Letelier-Moffitt leva este nome em homenagem a Orlando Letelier e Ronni Moffitt, ativistas de direitos humanos mortos em 1976 na capital americana por agentes do serviço secreto chileno. A primeira edição do prêmio ocorreu dois anos depois.

Representantes brasileiros já conquistaram duas vezes a premiação — em 1982, a láurea foi conquistada ao cardeal Paulo Evaristo Arns. E, em 1989, à União das Nações Indígenas (UNI). Vencedores desse prêmio recebem 30 mil dólares. Alessandra Korap afirma que todos os recursos serão destinados à causa da luta do povo Munduruku.

Natural da Terra Indígena Praia do Índio, em Itaituba, no Pará, onde vivem cerca de 14 mil mundurukus, sua etnia, Korap notabilizou-se denunciar na Câmara dos Deputados uma série de ações ilegais em territórios indígenas.

Alessandra Korap. Foto: reprodução

O Prêmio Robert F. Kennedy dado há 37 anos para "campeões excepcionais de coragem moral que resistem à opressão, mesmo com grande risco pessoal, na busca não violenta dos direitos humano", como define em um comunicado. Korap já teve a casa invadida e recebe ameaças de morte por telefone.

— Estou escondida, sou vista como uma ameaça, sou incomodada — revela Korap. — Não quero ser morta antes de as pessoas me ouvirem. Meu filho já me abraçou e disse: "Mãe, não quero que te matem". Preciso falar agora, urgentemente.

Korap, no entanto, considera que a sociedade brasileira ainda é "surda" em relação aos apelos dos indígenas. Sua mobilização fora da aldeia munduruku começou há cerca de cinco anos, mas no começo, tinha acesso vetado aos debates por ser mulher.

Fui acompanhar os caciques, mas muitas vezes era barrada em encontros com políticos, como prefeitos e vereadores. Os pedidos de socorro que faço não são só meus. São de vários povos que tiveram a demarcação de suas terras vetada pela Funai, ou que convivem com mineradores e plantadores de soja contaminando os seus rios. Várias invasões estão acontecendo, há territórios indígenas que parecem cidades de garimpeiros.

Korap, no ano passado, participou de uma comitiva que reuniu-se com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), onde fez críticas ao governo federal e à eventual retirada da Funai do Ministério da Justiça.

A líder indígena elogia o reconhecimento internacional à sua luta, mas avalia que "boa parte" da devastação do meio ambiente do Brasil tem ligação com negócios dos países desenvolvidos.

— Quem financia o mercúrio da Amazônia, quem compra carne e soja? — questiona Korap, que acredita que a classe política também tem interesse na destruição do patrimônio ambiental. — Nossos direitos são massacrados pelo presidente, por ministérios, por deputados e senadores. Os homens brancos não beberão a água suja pela barragem e pelo petróleo.


O Globo

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