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O que é lockdown e o porquê de ainda não ser o momento de implantá-lo em Santarém.

O avanço do novo coronavírus em Santarém

Orla de Santarém. Foto: (Arquivo)

Há pouco mais de um mês, no dia 01 de abril, foi confirmado o primeiro caso do novo coronavírus em Santarém verificado por um laboratório privado em Belo Horizonte.

No momento em que escrevo este opinativo, são 8.069 casos confirmados no Pará dos quais 220 são em Santarém (dados de 11/05).

Clayton Santos, doutorando na UFOPA, criou o site covidsantarem.com.br no qual há representação gráfica da evolução dos casos confirmados especificamente em Santarém como podemos ver na imagem abaixo:

Como se percebe, há uma aceleração na curva de casos positivos em Santarém com o avanço da doença na cidade.

Santarém é a cidade com maior número de casos de toda a região do Baixo Amazonas que, no total, tem 383 casos.

Assim, o Município de Santarém possui apenas, aproximadamente, 2,73% dos casos do estado do Pará, enquanto que toda a região é responsável por cerca de 4,75%.

Apesar da relativamente baixa representatividade de casos comparando aos casos de todo o Estado, Santarém não pode minimizar os efeitos potenciais da crise trazida pela COVID-19.

Mas isso não significa que deve partir, de logo, para o lockdown.

Falando nisso, o que é o lockdown?

Recentemente, o governador do Pará Helder Barbalho decretou o lockdown em Belém e outras dez cidades na mesma região.

lockdown é uma palavra de origem inglesa e pode ser traduzida como confinamento, clausura, ou seja, um isolamento social mais profundo ou um bloqueio total com a interrupção de todas (ou grande parte) das atividades por determinado período de tempo, geralmente curto.

Recentíssimo estudo realizado na Imperial College of London (fonte) analisa o caso do Brasil e aponta que a distribuição dos casos de morte por novo coronavírus é fortemente heterogênea, concentrando 81% dos óbitos em apenas cinco estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Ceará e, nosso vizinho, Amazonas).

O estudo citado menciona que há uma diminuição na velocidade de transmissão muito pequena no momento e os pesquisadores apontam correlação direta entre a mobilidade das pessoas e a transmissão do vírus.

Este estudo aponta que o lockdown é a medida mais efetiva de contenção da disseminação do vírus, conforme visto em países da Ásia e Europa.

Todavia, não é a única alternativa para diminuir a mobilidade.

Como vimos, o lockdown é a interrupção forçada e abrupta da mobilidade das pessoas com base na proibição de circulação por determinado tempo, permitindo apenas saídas para atividades essenciais.

Apesar de ser o mais eficaz dentre as medidas contra o avanço da disseminação do novo coronavírus, tende a ter um custo econômico e social muito elevado (ainda mais que as demais medidas).

lockdown no Pará

O governo do estado do Pará Decretou, na última terça-feira (05), o bloqueio total das atividades em Belém e outras nove cidades, funcionando a partir da quinta-feira (07) como medida educativa/informativa e a partir de hoje (11) com punição de multa.

O Decreto 729/2020 do governo do estado adotou o lockdown em dez cidades e, além disso, estabeleceu multa diária de R$ 150,00 para pessoas físicas, microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, enquanto que para médias e grandes empresas a multa inicia em R$ 50.000,00.

Há, ainda, previsão de embargo de atividade e de aplicação em dobro da multa para reincidências.

Por certo, o Decreto traz uma série de atividades que considera justificar a movimentação, ou seja, se a pessoa física ou empresa abordada estiver em uma daquelas ações não é cabível o pagamento da multa.

Medidas adotadas em Santarém e o porquê de ainda não ser o momento do lockdown

Santarém adotou um modelo misto de atuação em que se permite muitas atividades durante parte do dia e as proíbe quase todas durante a noite.

Algumas atividades tiveram restrições para atendimento presencial, como a de bares, restaurantes, lanchonetes, boates, igrejas, academias e shoppings centers.

Mas para outras, mesmo sem essencialidade, só alterou o horário.

Quem transita no centro da cidade sabe que praticamente não houve diminuição de circulação de pessoas, exceto nos restaurantes e lanchonetes, mas todo tipo de loja permanece aberto, porém em horário menor.

Assim, bloquear tudo de uma vez, sendo que ainda há uma intensa atividade econômica na cidade é, no mínimo, incoerente.

Apesar de haver entidades respeitáveis solicitando diretamente o lockdown, ainda acreditamos que deve ser, primeiro, adotadas medidas menos extremadas, como as sugeridas a seguir:

a) Diminuição, ainda mais, do período de atividade no centro da cidade, por exemplo, fechando ao meio dia e não abrindo mais aos sábados;

b) Proibição de andar nos coletivos sem máscara;

c) Proibição de andar nos coletivos em pé;

d) Bloqueios de faixas em algumas ruas movimentadas para tornar desconfortável sair de casa, aumentando o trânsito;

e) Utilização de máscara obrigatória para os serviços de mototáxi, táxi e motoristas por aplicativo;

f) Aumento da tarifa dos mototáxis;

Bem essas são as contribuições que quis compartilhar e você o que acha da adoção do lockdown em Santarém?

Fonte: https://dorgivalviana.com.br/

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