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Exame pós-morte de agente prisional é negativo para o covid-19; 'Márcio morreu por negligência médica', diz companheira

Saiu no sábado (25) o resultado do exame pós-morte do agente prisional Márcio Pinto da Silva: negativo para Covid-19. Márcio morreu no dia 19 de abril após agravamento do quadro de falta de ar que vinha apresentando há alguns dias e que o levou por três vezes à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h, em Santarém, oeste do Pará. Para Iri Gonzaga, companheira de Márcio, ele foi vítima de negligência médica.
Iri Gonzaga e Márcio Pinto, uma história de amor interrompida pela morte do agente prisional — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Segundo Iri, Márcio deu entrada na UPA na segunda-feira (13) com falta de ar. Na terça-feira (14), retornou à UPA e nas duas vezes foi dito que ele estava com pneumonia, mas sem nenhum exame ter sido feito. Na quarta-feira (15), quando procurou a UPA pela terceira vez, a médica que o atendeu também disse também que ele estava com pneumonia, mas usou apenas o estetoscópio para examiná-lo. Orientou que ele continuasse a fazer inalação como havia indicado a primeira médica.
“A gente não sabe o que ele tinha, mas a gente sabe que ele não foi cuidado como deveria. E nós não tivemos a oportunidade de fazer nenhuma homenagem. E depois de uma semana da morte dele a gente recebe o resultado negativo para Covid-19”, disse Iri.
Iri disse ainda que a médica perguntou se Márcio tinha aparelho de inalação, ele disse que não. A médica então teria orientado o agente prisional a procurar a UBS da Nova República para fazer inalação quando tivesse com falta de ar. Márcio também chegou a fazer inalação até na farmácia.
“Fizemos inalação, mas nunca foi feito um exame no Márcio, um Raio-X ou uma tomografia. E depois que ele morreu eu recebi a declaração de óbito com a causa da morte de suspeita de Covid-19, o que pra mim foi um espanto, porque ele não teve febre, não sentiu dor de garganta, ele tinha um tosse crônica, e nós já tínhamos informado que ele era agente prisional e tinha asma, mesmo assim, fizeram pouco caso disso. O Márcio morreu realmente por negligência médica”, disse Iri.
Márcio Pinto seguiu recomendação de fazer inalações no posto de saúde — Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Márcio estava afastado das funções de agente prisional desde o dia 14 de abril, por recomendação médica. Iri questiona também o fato de ter sido recomendado o isolamento e mesmo assim, Márcio ter sido orientado a procurar uma UBS caso precisasse de inalação.
“Eu nunca vi uma pessoa que está em isolamento ter que ir a um posto de saúde, onde vai encontrar várias pessoas doentes, idosos, cardiopatas, diabéticos”, observou Iri.

Teste rápido

Após a morte de Márcio, Iri foi orientada a se submeter a exames na UPA 24h e passou por teste rápido de coronavírus que também deu negativo. Mesmo assim, ela segue em isolamento e ainda tenta se recuperar da perda do companheiro.
Iri foi à UPA por duas vezes após a morte do Márcio, porque ficou muito abatida e com o psicológico abalado. No primeiro atendimento foi solicitado hemograma e Raio-X. Segundo ela, no Raio-X apareceu algo que o médico não soube descrever, mas prescreveu azitromicina e orientou isolamento.

Preocupada com o Raio-X, Iri pediu ao médico para fazer uma tomografia e ele autorizou. Na tomografia não apareceu nada que indicasse a presença de coronavírus.

“Todos os exames que fiz o Márcio não teve oportunidade de fazer. E pra minha surpresa na minha ficha estava observado: companheira do Márcio Pinto, falecido na UPA. O que essa informação vai influenciar no atendimento? Quer dizer que iam me tratar diferente? Questionou Iri e completou, ‘fui para a mesma sala que os demais pacientes com suspeita de Covid-19 foram. A diferença é que pra mim solicitaram os exames que pro Márcio não fizeram”.

G1 Santarém

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