Sespa propõe pacto com municípios para resgatar cobertura vacinal

Em reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), realizada nesta terça-feira (19), no Hotel Princesa Louçã, em Belém, o secretário de Estado de Saúde Pública, Alberto Beltrame, propôs um pacto do Executivo com os municípios para resgatar a cobertura vacinal no Pará. “Estamos muito aquém do desejado, pois apenas 24 dos 144 municípios paraenses estão com cobertura vacinal acima de 95% na rotina. 

Isso significa que 86% dos municípios estão com cobertura abaixo do mínimo”, frisou o secretário. Para ele, a busca ativa é fundamental para o alcance da população não vacinada.

A coordenadora estadual de Imunizações, Jaíra Ataíde, apresentou o panorama da cobertura vacinal no Pará. Ela frisou as principais demandas para as salas de vacinação municipais a partir de 2014, o que pode ter contribuído para as dificuldades dos municípios em manter a cobertura vacinal homogênea. Entre essas demandas, Jaíra Ataíde citou a implantação da vacina contra HPV (Papiloma Vírus Humano) para meninas e meninos e pessoas que vivem com HIV (vírus causador da Aids); ampliação da vacina contra hepatite B para todas as faixas etárias e a criação do calendário vacinal da gestante. A coordenadora lembrou que desde 2010 já havia calendários de vacinação para criança, adolescente, adulto e idoso.

Depois, ela fez um comparativo da situação das salas de vacinação. Até 2013, a campanha de imunização contra influenza abrangia 1,4 milhão de pessoas. De 2014 a 2018 houve a implantação da vacina Meningo C para adolescentes de 11 e 12 anos, para proteger uma população de 278.799 pessoas, e a campanha de vacinação contra influenza passou a abranger 1,7 milhão de habitantes.

Até 2013, era usado o Sistema de Informação e Avaliação do Programa de Imunização (SI/API), que foi substituído pelo SI/PNI (Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações), com instalação nas salas de vacinação e exigência de cadastro do vacinado. No entanto, a sala de vacinação não funciona diariamente, e a população da área não é contemplada na busca ativa. Entre outros problemas, Jaíra também citou o aumento da demanda de vacinas numa situação de bloqueio vacinal porque as pessoas dizem ter perdido o cartão de vacinação.

Desafios - Segundo a coordenadora, a extensão territorial do Pará, com mais de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, também representa um grande desafio, pois 109 municípios (75,69%) têm a maior parte da sua população vivendo na área rural. Outro desafio é a conectividade. 

“Atualmente, existem 1.560 salas de vacina, das quais 778 (49,87%) estão online e 782 (50,12%) ainda registrando no computador, para depois enviar os dados para o sistema”, acrescentou. “Por diversos motivos, os municípios não conseguem vacinar todas as crianças menores de um ano que deveriam no mês. E são essas crianças não vacinadas que vão crescendo e se tornando os suscetíveis dos surtos como este, do sarampo”, reiterou Jaíra Ataíde.

O quadro se agrava, segundo a coordenadora, devido à situação da vacina pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, infecções causadas pelo Haemophilus influenza B e hepatite B. Em 2014, a meta anual de determinado município era vacinar 21.368 crianças durante o ano, o que daria 1.781 crianças por mês. No entanto, naquele ano, foram vacinadas 17.912 (84,07%), ficando 3.456 crianças sem vacina.

Em 2015, desse total não vacinado, mais 994 crianças tomaram a vacina já com um ano de idade. Em 2016, mais 302 foram vacinadas; em 2017, mais 122 e, no ano seguinte, mais 91. Apesar do esforço para encontrar as crianças, na análise de dezembro de 2018 o município traz um resíduo de 1.378 crianças não devidamente protegidas contra essas doenças graves, o que representa a formação de um bolsão de suscetíveis.

Como sugestão para o resgate da cobertura vacinal no Pará, Jaíra Ataíde apresentou aos gestores de saúde as seguintes propostas, que podem compor um Plano de Enfrentamento para Resgate das Coberturas Vacinais nos Municípios: Discutir as alternativas de enfrentamento por região de Saúde e pactuar nas Comissões Intergestores Regionais (CIR); ampliar a cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) e de Agentes Comunitários de Saúde (ACS); cadastrar no SI/PNI a população atendida pela ESF; garantir à população o funcionamento e fácil acesso à sala de vacina, em tempo integral - incluindo sábados e finais de semana; integrar as secretarias de Educação e Assistência Social à vacinação de crianças e adolescentes; promover a integração das ações da ESF com a Imunização e a Vigilância Epidemiológica; fazer busca ativa das crianças faltosas e intensificar a vacinação por área e localidade; implantar e fortalecer a equipe móvel de vacinação; formar força-tarefa para digitação de fichas do vacinado; ampliar a conectividade da sala de vacinação; garantir o funcionamento do SI/PNI online; aumentar o número de bancadas, a vacinação rotineira e a orientação nas unidades nas campanhas de vacinação; aplicar o Monitoramento Rápido de Cobertura Vacinal e elaborar o Plano Anual de Trabalho (PAT) da Imunização.

Fonte: Blog Plantão 24horas News com informações de Roberta Vilanova em parceria com Agência Pará.

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